Brasil terá de qualificar 13 milhões de pessoas até 2020, diz Senai; profissões transversais e tecnológicas levam vantagem. Escolha de curso deve levar em conta vocação e polos regionais.
A indústria absorveu mais trabalhadores de nível técnico que de nível superior no primeiro semestre do ano passado, aponta levantamento do Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para 2018.
Segundo a pesquisa, atividades mais próximas à linha de produção – operadores, técnicos de manutenção e de vendas, por exemplo – voltaram a abrir vagas, enquanto as oportunidades para engenheiros e diretores continuam baixas. Das dez áreas de engenharia pesquisadas, apenas três tiveram saldo de empregos positivo (veja mais na tabela abaixo).
Em setembro do ano passado no portal G1 O diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, disse que credita esse cenário à recuperação do consumo das famílias e ao perfil do próprio sistema de emprego. Segundo ele, os dados também revelam "sinais de recuperação" da indústria e da economia, de modo geral.
"O sistema de emprego, via de regra e em qualquer atividade, é piramidal. Por exemplo, você tem um professor titular, alguns adjuntos, vários auxiliares e ainda mais alunos", explica Lucchesi. Essa lógica se repete em outros ambientes, como a indústria.
"Então, é claro que você tem um contingente maior de operadores, de funções mais subalternas. Com qualificação técnica superior a 200 horas, um número intermediário. Aí, um número menor de técnicos, e ainda menor de engenheiros."
Essa distribuição do trabalho, segundo o diretor do Senai no portal do G1, faz com que os empregos de menor qualificação sejam os primeiros na "fila do corte" quando a crise chega – e os primeiros na fila da recontratação, quando a economia se estabiliza.
Em outro estudo recente, o Senai apontou que o Brasil terá de qualificar 13 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2020. Segundo o órgão, boa parte desse número se refere à requalificação – por exemplo, alguém que já atua como eletricista, mas precisará fazer um curso de automação para se manter competitivo.
Confira o 'top 5' em cada um desses níveis, de acordo com o Senai, e o saldo de empregos de cada área no primeiro semestre deste ano 2017:
Qualificação até 200 horas
| Ocupação | Saldo de empregos |
| Alimentadores de linhas de produção | 42.463 |
| Trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações | 23.972 |
| Trabalhadores da mecanização agropecuária | 17.725 |
| Motoristas de veículos de cargas em geral | 9.443 |
| Preparadores de fumo | 9.072 |
Qualificação com mais de 200 horas
| Ocupação | Saldo de empregos |
| Instaladores e reparadores de linhas e cabos elétricos, telefônicos e de comunicação de dados | 4.785 |
| Operadores de máquinas para costura de peças do vestuário | 3.494 |
| Mecânicos de manutenção de máquinas industriais | 2.808 |
| Montadores de equipamentos eletroeletrônicos | 1.664 |
| Operadores de instalações e máquinas de produtos plásticos, de borrachas e parafinas | 1.521 |
Qualificação técnica
| Ocupação | Saldo de empregos |
| Técnicos de vendas especializadas | 2.536 |
| Instaladores-reparadores de linhas e equipamentos de telecomunicações | 1.347 |
| Técnicos em operação e monitoração de computadores | 879 |
| Montadores de veículos automotores (linha de montagem) | 841 |
| Técnicos em programação | 828 |
Nível superior
| Ocupação | Saldo de empregos |
| Desenhistas industriais | 314 |
| Diretores de produção e operações de construção civil e obras públicas | 15 |
| Profissionais da metrologia | 5 |
| Especialistas em editoração | - |
| Profissionais da biotecnologia | -3 |
Engenharias
| Ocupação | Saldo de empregos |
| Engenheiros de alimentos e afins | 16 |
| Engenheiros mecatrônicos | 5 |
| Engenheiros ambientais e afins | 2 |
| Engenheiros agrimensores e engenheiros cartógrafos | -32 |
| Engenheiros em computação | -90 |
Fonte: Senai e Ministério do Trabalho
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